Sol: prejudicial ou essencial?
- 20 de mai. de 2021
- 7 min de leitura
Atualizado: 23 de jun. de 2021

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Por um lado, câncer de pele. Por outro, deficiência de Vitamina D. Apesar da exposição solar constante, por um longo período de tempo e sem a utilização de protetor solar trazer malefícios para o organismo, não é recomendado se proteger 100% do sol, evitando a todo o custo absorver raios solares.
Segundo o artigo “Uso de protetores solares e risco de câncer de pele: uma revisão sistemática e meta-análise”, a exposição à radiação ultravioleta em excesso pode ocasionar câncer de pele não melanoma e melanoma. No entanto, o uso abundante de protetor solar, com o objetivo de evitar essas doenças e conter o envelhecimento precoce, pode afetar a absorção de Vitamina D, resultando em condições que afetam os ossos, como osteoporose.
O sol e os raios solares
A maneira na qual o sol afeta a vida humana está relacionada a fatores como as “características individuais da pele exposta, intensidade, frequência e tempo de exposição, que por sua vez dependem da localização geográfica, estação do ano, período do dia e condição climática”. Entre os benefícios promovidos pela exposição solar estão: uma melhoria no estado físico e mental dos indivíduos, a produção de melanina, entre outros.
No entanto, malefícios causados à pele podem ser evidenciados se precauções em relação aos raios solares não forem tomadas.
Protetores solares e sua importância
Inicialmente, os protetores solares foram desenvolvidos para conter os efeitos dos raios UVB, que apresentam efeitos visíveis de forma imediata (vermelhidão e queimaduras que afetam a pele). Porém, a proteção alcançada não atingia a epiderme, não minimizando os danos causados pelos raios UVA.
Sendo assim, novos protetores solares foram criados para prevenir não só as queimaduras, como também o envelhecimento precoce e o risco de câncer de pele. Eles podem ser classificados em:
Orgânicos, que absorvem os raios solares. Um protetor orgânico pode absorver apenas a radiação UVA ou apenas a UVB, mas há formulações que neutralizam as duas.
Inorgânicos, que dispersam e refletem os raios solares, de acordo com os tamanhos de suas partículas. Eles apresentam poucas chances de irritar a pele, mas pode deixar a pele com um aspecto esbranquiçado.
A dermatologista Jaqueline Morais afirma que o uso do protetor solar só deve ser iniciado a partir dos 6 meses de idade, mas medidas de proteção física (roupas, chapéus, buscar áreas cobertas) devem ser iniciadas desde o nascimento dos bebês.
É preciso ficar atento (a) ao fator de proteção solar (FPS), já que ele pode ser influenciado por condições como a quantidade aplicada, a exposição à água, hora do dia, entre outros. Além disso, sua eficácia pode ser comprometida se o FPS utilizado for menor do que o recomendado para a sua pele.
De acordo com a especialista, todas as pessoas, independentemente de seu tom de pele, devem ter cuidados com a pele, em relação à exposição solar. A pele preta se queima mais dificilmente, mas nem por isso essas medidas de proteção devem ser ignoradas.
Câncer
Por meio da exposição solar sem proteção solar e por um tempo prolongado, é possível desenvolver o melanoma e o câncer de pele não melanoma, que é classificado como: carcinoma basocelular (mais comum e menos agressivo) e carcinoma espinocelular, também chamado de epidermoide. Além disso, nevos (manchinhas marrons regulares na pele) também podem ser originados. Saiba mais características abaixo:
Carcinoma basocelular
É comum em áreas do corpo que são mais expostas ao sol, como o rosto, as orelhas, o pescoço e o couro cabeludo, mas ele pode surgir em áreas corporais mais protegidas.
Carcinoma espinocelular
É comum em áreas como o dorso da mão, o rosto, os lábios e as orelhas de pessoas de pele mais clara, de cabelos claros e sardas.
De acordo com dados divulgados pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), que mostra a estimativa da incidência de câncer no Brasil, os dois tipos citados acima afetarão 176.930 brasileiros, sendo 83.770 homens e 93,160 mulheres, entre 2020 e 2022.
Melanoma
É originado nos melanócitos, que são as células que produzem melanina. Ele pode aparecer em qualquer parte do corpo, sendo formado por manchas, pintas ou sinais na pele. Apesar de ser mais encontrado em pessoas brancas, indivíduos pretos podem desenvolver esse câncer em áreas como as palmas das mãos e solas dos pés, por serem regiões mais claras.

A dermatologista declara que as chances do câncer de pele ressurgir depende do tipo da condição. “Mas como os principais tipos têm relação com a exposição solar ao longo da vida, uma pessoa que desenvolve um câncer de pele tem maior chance de desenvolver outros, já que provavelmente a quantidade de radiação UV que essa pessoa se expôs foi grande, ainda que na juventude. Os danos solares são cumulativos, por isso a incidência é maior em pessoas mais idosas”, completa.
Como o câncer pode afetar a vida dos indivíduos
Para a estudante de psicologia, Akeema Smith, 20 anos, a sua história com o melanoma começou de forma atípica, já que ela possui uma marca de nascença que cobre o seu seio esquerdo, o que possibilitou o seu contato com dermatologistas desde cedo. Em 2018, porém, o seu mamilo começou a sangrar e o ferimento não cicatrizava. “Isso é um dos sinais do melanoma, às vezes eles começam a sangrar e não cicatrizam”.
Foi só em 2019 que a biópsia de sua marca de nascença foi realizada e, segundo Akeema, “na noite anterior à consulta que revelaria os meus resultados, eu não consegui dormir e, por algum motivo, eu tinha a sensação de que seria câncer”. No dia 8 de maio do mesmo ano, o resultado da biópsia apontou que Akeema tinha melanoma de estágio 2, sendo necessário realizar uma cirurgia de remoção da área afetada. “Então o meu mamilo foi completamente retirado e depois eles removeram cinco dos meus linfonodos, nos quais três apresentavam células cancerígenas”.
Após a cirurgia, Akeema teve que realizar imunoterapia, um dos tratamentos mais comuns para pessoas com melanoma. “É como se fosse uma quimioterapia, então eu ia para uma clínica especializada em tratamentos de câncer e fazia os procedimentos a cada duas semanas, também me consultando com o meu oncologista”, explica. Uns dos efeitos colaterais que ela experienciou foram fadiga extrema, constipação, caspa e coceira em seu couro cabeludo, o que a levou a raspar a cabeça.
O oncologista de Akeema acredita que, como apenas uma parte de sua marca de nascença foi retirada, há a possibilidade do melanoma ressurgir. Então, será necessário realizar outra cirurgia para removê-la de forma completa. Além disso, Akeema tem tomado cuidados em relação à utilização de protetor solar que é aplicado em seu rosto e em qualquer parte de seu corpo que não está coberta por roupas.

A coordenadora de assistência social Cleo Souza, de 39 anos, percebeu uma pinta no lado esquerdo de seu nariz, que logo começou a desenvolver uma ferida que não cicatrizava. Após seis meses, ela procurou uma dermatologista, que afirmou que Cleo tinha câncer de pele avançado, pois já estava afetando o osso zigomático (que forma parte da órbita ocular, sendo conhecido também como “osso da bochecha”). Três meses após a biópsia, a cirurgia para remoção do câncer foi realizada.
Após esse período, Cleo passou a ir praticamente uma vez por mês ao dermatologista. “Além do câncer removido no nariz, eu tirei também na nuca, nas costas e agora vou tirar também atrás da orelha e dois no maxilar. Eu tenho feito o tratamento em hospital oncológico desde 2020”.
A respeito de seus cuidados com a pele, Cleo declara usar um sabonete com objetivo de amenizar a oleosidade da pele; e um protetor solar fator 70 diariamente, “por conta das luzes de led aqui em casa”, visto que os médicos a proibiram de se expor ao sol.

A estudante de nutrição Paula Hunger, 24 anos, notou uma pinta sem cor em sua testa e, por esse motivo, procurou um dermatologista em 2019. No entanto, o profissional afirmou que era uma glândula sebácea. “Mas essa pinta perdurou. Ela não mudou de tamanho, cor ou textura, mas permaneceu. Depois, apareceu uma outra mancha na minha pele, aí procurei um médico e ele me indicou para uma biópsia, porque ele não achou que era uma glândula sebácea”, esclarece.
Assim, Paula recebeu o diagnóstico de que a pinta era um carcinoma basocelular, o que a abalou profundamente: “acho que eu por ser nova, não estava esperando que isso realmente poderia acontecer comigo, chorei, fiquei desesperada”.
O tratamento selecionado foi a remoção cirúrgica, sendo que Paula não poderia realizar algumas atividades durante o pós-operatório, como exercícios físicos e abaixar a cabeça.
“Eu mudei totalmente meu cuidado com a pele. Moro em uma cidade muito quente (Cuiabá) e sou muito branca, mas não realizava cuidados básicos, como passar protetor solar de três em três horas e utilizar um protetor solar mais reforçado”. Paula destaca que investiu em um protetor especial de fator 99 que previne lesões de câncer de pele, aplicando o protetor a cada três horas, além de hidratar a pele e aplicar um sérum vegetal para remover manchas. Os seus cuidados com a pele facial são muito intensos, mas ela afirma ter dificuldade em manter a rotina de cuidado corporal.

A deficiência de vitamina D e suas consequências
A vitamina D é absorvida, em sua maioria, por meio da exposição solar, sendo associada ao fortalecimento dos ossos. A deficiência dessa substância, portanto, pode ocasionar diversas doenças, como osteoporose, osteopenia (uma condição que promove a perda de massa óssea), câncer, obesidade, diabetes e hipertensão arterial, de acordo com uma matéria publicada no portal Fiocruz.
A dermatologista Jaqueline declara que a reposição oral da vitamina D é indicada quando há deficiência dessa substância. “Isso porque a exposição solar com intuito de produção dessa vitamina deve ser feita entre 10h e 15h, horário em que a radiação UVA e UVB está mais elevada, o que aumenta muito o risco de câncer de pele”.
A ergonomista Cláudia Ferreira, 59 anos, descobriu que tinha deficiência de vitamina D após fazer um exame de sangue. As recomendações de seu ginecologista foram a ingestão do medicamento Addera - D3 e a exposição ao sol sem a utilização de filtro solar durante 20 minutos ao dia. Cláudia afirma que, ao seguir essas indicações, percebeu um maior fortalecimento de suas unhas e cabelos.
A professora de Yoga Isis Mackoviak, de 26 anos, percebeu que sofria da mesma condição após realizar um check up de alguns nutrientes. Ela consultou uma nutricionista que recomendou a ingestão de vitamina D manipulada em uma cápsula em pó. Isis declarou que demorou um pouco para sentir os efeitos proporcionados pelo medicamento, sendo eles mais sutis, já que estavam afetando a sua saúde mental.

A pesquisa “Relação entre padrões de sono, concentrações de vitamina D, obesidade e resistência à insulina”, chegou à conclusão de que muitas pessoas não se expõem ao sol devido à falta de tempo, enquanto outras evitam essa exposição por vontade própria.
A nutricionista Liane Murari Rocha, responsável por esse estudo, afirmou que “muitos querem resolver os problemas com potinhos de suplemento. [...] Para algumas situações, há necessidade, para outras, não”. O excesso de vitamina D causado pela suplementação sem moderação provoca problemas renais.
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