Rosácea: entenda sobre essa condição e seus cuidados
- 24 de mai. de 2021
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Atualizado: 23 de jun. de 2021

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A rosácea é uma condição dermatológica crônica (que tem sintomas ininterruptos) que causa vermelhidão frequente, vasodilatação (vasos sanguíneos dilatados) persistente na região da face, vasinhos muito finos e visíveis na superfície da pele (um aspecto conhecido como telangiectasia). Essas características podem ser associadas a momentos de inflamação, nos quais lesões caracterizadas por mudanças na cor e na textura da pele podem acontecer (pápulas), assim como pequenas “bolinhas” de pus (pústulas), gerando erupções cutâneas.

Segundo a dermatologista Solange Póvoa, “a doença apresenta alguns fatores desencadeantes: exposição solar, estresse emocional, ingestão alcóolica, vento, água quente, atividade física intensa, banho quente, clima frio, bebidas quentes, comidas apimentadas, certos cosméticos faciais, medicamentos, algumas condições médicas, presença de Demodex folliculorum (ácaros que habitam o rosto humano) na pele, dentre outros”.
A rosácea afeta mais pessoas brancas entre 30 a 50 anos, mas também pode se desenvolver em pacientes de pele preta, o que dificulta o reconhecimento da condição neles.
A doença em questão pode se manifestar em 4 tipos:
Eritemato-telangiectásica
Apresenta vermelhidão (eritema) e vasinhos (telangiectasias) na região central da face. Os fatores desencadeantes podem intensificar esses sintomas e ocasionar em episódios de “flushing” facial, também resultando em vermelhidão e em uma sensação de queimação facial.
Papulopustular
Consiste, além dos sinais mencionados acima, na presença de pústulas e pápulas avermelhadas.
Fimatosa
É mais comum em homens e pode afetar qualquer área da face, mas a região do nariz é a mais comum. A pele fica mais espessa e inchada (com edemas), além de exibir vermelhidão (eritema).
Você sabia: Rosácea ocular
Entre outras características, ela envolve a inflamação da pálpebra (blefarite), além da formação de crostas e da descamação da pele. Outros sintomas são sensação de corpo estranho, visão turva, sensibilidade à luz, conjuntivite, entre outros. Uma inflamação na córnea (ceratite) também pode ser desenvolvida, ocasionando na perda da visão, segundo a especialista.
A pele com rosácea é muito sensível e irritável e, por isso, os pacientes devem evitar cosméticos que contenham ácidos e álcool em sua composição, além de não realizar tratamentos com peelings e produtos abrasivos (aqueles que causam atritos na pele), esfoliantes e adstringentes (que têm o objetivo de remover células mortas).
Para a dermatologista, a condição causa impactos na qualidade de vida e na autoestima dos pacientes, que costumam se queixar a respeito do “excesso de sensibilidade ao uso de cosméticos e à limpeza/lavagem da pele, e hiper-reatividade vascular, com presença de episódios de “flushings” faciais que geram muito desconforto. Estudos mostram que a doença pode levar à ansiedade, depressão, vergonha, baixa autoestima e fobia social”.
A rosácea é chamada, muitas vezes, de “acne rosácea”, o que é incorreto. A acne é uma condição originada pelo aumento da produção da glândula sebácea, enquanto a rosácea é uma doença vascular inflamatória crônica que não causa cravos no rosto. (Fonte: Sociedade Brasileira de Dermatologia - SBD)
A rosácea ainda não tem cura, mas existem tratamentos e formas de controlar essa doença. Para a dermatologista Solange, os tratamentos envolvem a aplicação de cremes/géis de ácido azeláico, creme de ivermectina, sessões de luz intensa pulsada, microagulhamento, radiofrequência, uso de lubrificantes oculares (no caso de rosácea ocular), entre outros. Além disso, a médica informa que pacientes com rosácea devem seguir certos cuidados, como:
Evitar a exposição aos fatores que podem contribuir para a piora dessa condição;
Realizar a limpeza da pele duas vezes ao dia, no máximo, com produtos específicos para pele sensível;
Aplicar hidratantes que contenham ácido hialurônico, glicerina, niacinamida, entre outros componentes, diariamente.
Utilizar protetor solar diariamente, com FPS acima de 30.
Como é conviver com a rosácea?
A designer Kohneshia Wall, de 22 anos, notou que tinha rosácea quando ela era adolescente, ao perceber que a condição tinha começado a se desenvolver em seu nariz. De acordo com ela, qualquer mudança na temperatura e certos alimentos e bebidas aumentam a vermelhidão em sua pele. Kohneshia observou que, no ano passado, áreas de seu rosto passaram a ficar mais vermelhas, como as suas bochechas e seu nariz, além de sua pele começar a apresentar pústulas.
Ela declarou que parou de usar tônicos, esfoliantes e itens que limpam a pele com componentes agressivos. Sua mãe, que é aromaterapeuta, produziu cosméticos naturais com babosa e outros óleos, com o objetivo de acalmar a pele de Kohneshia, que também passou a utilizar produtos da empresa “The Ordinary”, como o óleo de semente de rosa mosqueta, o ácido hialurônico (para hidratar a pele) e os tratamentos que apresentam niacinamida e zinco (que uniformiza a textura da pele).
A designer afirma que não aplica todos esses cosméticos em sua rotina diária de skincare, alternando os produtos e dando um intervalo de dois dias após utilizar os itens da marca “The Ordinary”. Para ela, a condição de sua pele apresentou mudanças positivas após iniciar esses cuidados.
Kohneshia reconhece que conviver com a rosácea pode ser desconfortável e que sua autoestima foi afetada por essa condição. Como o estresse pode desencadear essa doença, ela afirma que praticar meditação e yoga ajudam a controlar essa reação. “Eu nunca fui de usar muita maquiagem, já que ela não camufla a rosácea muito bem e pode ser muito incômodo utilizá-la, Então, eu tento não aplicá-la em minha pele com muita frequência”, finaliza.

A estudante de Moda Helena Staut, de 18 anos, notou os sintomas da rosácea quando tinha treze anos. “Ia acontecer um evento importante e eu estava super estressada, aí notei essa ‘empolação’ ao redor da boca e no queixo, mas ela sumiu em alguns dias e só foi retornar quase um ano depois”, ela conta. Helena relata que sua rosácea costumava durar pouco tempo e surgia com pouca frequência, mas as crises começaram a se intensificar ano passado, o que a levou a procurar uma dermatologista.
“A dermatologista não teve certeza de primeira, já que o meu perfil não é comum ter rosácea, mas depois de algumas crises ela confirmou. Sempre fui muito sensível e cuidadosa em relação a minha pele e aparência no geral, o diagnóstico afetou minha autoestima bastante”, relembra.
Os sintomas que ela experiência são “bolinhas vermelhas, bem parecidas com acne”, na parte inferior das bochechas, do queixo, ao redor da boca e no centro da testa, além de uma leve vermelhidão nessas áreas.
Helena afirma que utiliza um produto chamado Rozex, que auxilia a controlar as crises de forma rápida e eficiente, e um gel todos os dias de manhã para prevenir a rosácea. Além disso, ela também aplica sabonete facial, protetor solar, hidratante e vitamina C em sua pele. “Alguns dos meus produtos de skincare não foram passados pela dermatologista, mas sempre tenho o cuidado de ver os ingredientes e como ele agiria no meu tipo de pele”, ela explica, afirmando também que tenta deixar a pele respirar quando tem crises, mas utiliza maquiagem quando sai porque tem dificuldade em não usar esse recurso para esconder a sua condição.
Helena considera que a aparência da rosácea é similar a da acne, que ela também costuma tratar. “Ter mais outro problema de pele, principalmente trabalhando com imagem, gera muita insegurança com relação à aparência. Mas o tratamento vem funcionando”.

A supervisora de segurança Thais Monteiro, de 41 anos, começou a notar que tinha rosácea entre os 14 a 15 anos, visitando vários dermatologistas para obter um diagnóstico. “Porém nenhum foi assertivo. Alguns diziam que era acne e assim tratei a pele por um bom tempo. Depois de uma mudança de município, me consultei com uma nova dermatologista, que me diagnosticou com rosácea e explicou que ela é uma doença rara e sem cura”, ela relembra.
Thais afirma que, ao ser diagnosticada em 2001, se sentiu desamparada porque as informações sobre a condição eram escassas e porque não conhecia ninguém que também tivesse rosácea.
Os sintomas enfrentados pela supervisora envolvem a presença de inchaços, coceira e ardência. “Já me aconteceu de passar por uma crise tão forte que até dormência nas áreas afetadas tive”. Thais utiliza cremes manipulados (um de 1% de ivermectina e outro de 2% de telangyn), que diminuem o ressecamento das áreas afetadas, e já fez sessões de luz intensa pulsada, que contribuíram para o desaparecimento de vários vasinhos que ela tinha em seu rosto.
A sua rotina de skincare consiste em lavar o rosto apenas com água fria; usar um sabonete líquido indicado para peles sensíveis; aplicar o creme ivermectina e o creme telangyn, após o primeiro ser absorvido; e passar filtro solar.
Thais diz que a ardência e as coceiras originadas pela rosácea causam incômodo, mas a condição nunca a impediu de socializar. Ela admite que já usou corretivo verde para esconder a sua vermelhidão, mas ficava desconfortável com a sensação de rosto extremamente “rebocado”. Sendo assim, ela prefere não esconder a rosácea atualmente. “Ela está parcialmente sob controle. Vez ou outra acontecem crises. Hoje elas acabam depois de algumas horas, antigamente levavam dias para ela sumir”, finaliza.

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