Lipo LAD e o culto ao corpo perfeito
- 24 de mai. de 2021
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Atualizado: 24 de jun. de 2021

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A Lipoaspiração de Alta Definição, também chamada de Lipo LAD ou HD, é um tipo de lipoaspiração que prioriza a definição muscular. De acordo com a cirurgiã plástica Luciana Pepino, “como na lipoaspiração convencional, na HD haverá também a sucção da gordura através de cânulas (pequenos tubos), porém com remoção maior nas áreas de interseção muscular (a região que apresenta mais contato com o músculo)”. Para a especialista, houve um aumento na procura desse procedimento em seu consultório, principalmente por pacientes homens.
Mais informações sobre o procedimento
A Lipo LAD é indicada para “homens e mulheres, dentro do peso ideal, com pele firme e que praticam atividade física, mas que não conseguem uma definição muscular sem uma dieta muito restrita por um longo período de tempo”, afirma a cirurgiã plástica.
Sendo assim, pacientes acima do peso, que apresentam flacidez na pele ou tenham patologias que impeçam a realização, com segurança, de cirurgias eletivas (que não são de emergência) não devem recorrer a esse procedimento, já que há riscos de eles desenvolverem problemas de saúde, como trombose (causada pela formação de um coágulo no sangue, que prejudica o fluxo sanguíneo), infecção, perfurações de vísceras, entre outros.
Na primeira semana após a Lipo LAD, é comum que os pacientes sintam dor e tenham edema (inchaço). “Após esse período, liberamos o retorno ao trabalho. Indicamos o uso de cintas compressivas com talas de espuma e drenagem linfática por pelo menos 30 dias”, esclarece a médica.
Mas será que esse procedimento é realizado por vontade própria do paciente ou pela pressão estética imposta pela sociedade?
O culto ao corpo e seus efeitos na sociedade
Com o passar do tempo, os avanços na tecnologia possibilitaram a criação de uma nova relação com o corpo, que pode ser alterado de forma radical. Como consequência, o culto ao corpo fez com que as pessoas passassem a sentir uma preocupação com a sua aparência física. Assim, elas recorrem a dietas restritivas, exercícios físicos excessivos, procedimentos estéticos dolorosos e cirurgias plásticas invasivas para estarem dentro do padrão de beleza imposto pela sociedade.
Vale lembrar que esse padrão “perfeito” não é atingível para a população, isso porque as imagens de corpos perfeitos encontradas nas mídias são retocadas e o que é vendido é apenas a possibilidade de ter uma aparência impecável, não que ela realmente será alcançada.
A sociedade incentiva o emagrecimento das pessoas, um processo que as psicólogas Morgan e Azevedo chamaram de uma “pressão cultural para emagrecer”, como mostrado no artigo “Um peso na alma: o corpo gordo e a mídia”. Dessa forma, os indivíduos lidam com o medo obsessivo de engordar e acreditam que, ao alcançar um corpo magro, terão sucesso na profissão e nos relacionamentos sociais.
A psicóloga Iara Martins afirma que a busca por um corpo perfeito gera insatisfação e um gasto de energia muito grande nos indivíduos, pois eles tentam ansiosamente compensar a falta dessa “perfeição”. “Eles acreditam que, após os procedimentos estéticos, terão o corpo tão sonhado. Porém, descobrem que, depois de realizá-los, não estão totalmente satisfeitos, pois sempre estarão buscando a perfeição e tal exigência em um nível avançado nunca será atendida. Daí a necessidade de sempre se submeter a um processo cirúrgico que, neste caso, acaba se tornando patológico”, informa, destacando que a satisfação ou insatisfação não é produto da aparência e sim de como a pessoa se vê.
Segundo a cirurgiã plástica, a mídia influencia as pessoas a realizarem procedimentos estéticos, visto que “vivemos imersos em um mundo de imagens". Pra ela. "procuramos seguir padrões e a mídia sempre ditou e continuará ditando regras”. A médica destaca que um bom profissional irá sempre recusar casos que não se enquadram na técnica, alertando quanto aos riscos de qualquer procedimento.
Experiências de quem já fez esse procedimento
A estudante de psicologia Jessica Garcez, de 28 anos, tem o biótipo magro, mas tinha gordura localizada na região do abdômen. Antes de fazer o procedimento, ela começou a se alimentar de maneira mais saudável. “Fiz isso pra me tornar mais saudável e, de brinde, eu queria perder a barriguinha, mas mesmo assim não perdi a bendita ‘pochete’”.
Jessica esclarece que não queria emagrecer de forma drástica para perder a gordura localizada, por isso optou por realizar a lipo LAD. Ela afirma que não teve complicações no pós-cirúrgico e que o resultado foi satisfatório.
“Eu amei e me arrependo de não ter feito antes. Nunca me senti pressionada, eu já amava meu corpo e quis simplesmente melhorá-lo para me sentir melhor comigo mesma e para me sentir mais confortável em usar qualquer roupa”, completa Jessica. A estudante explica que não apoia quem decide fazer cirurgias estéticas para seguir padrões da sociedade, visto que esses procedimentos não podem ser considerados definições de felicidade e sim um complemento.

A influencer digital Karina Gonzales, de 28 anos, decidiu fazer a lipo LAD quando percebeu mudanças em seu corpo após a sua gravidez. “Mesmo com exercícios físicos, eu não estava me encontrando”, observa. Para ela, a primeira semana após o procedimento foi a pior, mas o resultado a deixou apaixonada.

A advogada, Soraya Michele, de 52 anos, conta sua experiência após realizar o procedimento:
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